A elefanta Kenya faleceu na manhã desta terça-feira (16), aos 44 anos, no Santuário de Elefantes Brasil (SEB), localizado em Chapada dos Guimarães, a cerca de 65 km de Cuiabá. O animal havia chegado ao Brasil há cinco meses, em julho deste ano, após passar décadas em cativeiro no Zoológico de Mendoza, na Argentina, em condições consideradas inadequadas para o bem-estar da espécie.
Kenya enfrentava diversos problemas de saúde decorrentes do longo período de confinamento, entre eles dificuldades respiratórias e lesões nas articulações, agravadas pelo tempo vivendo sobre superfícies duras. Mesmo recebendo acompanhamento veterinário contínuo e apresentando sinais de estabilidade nos dias anteriores, o quadro clínico da elefanta se agravou de forma repentina.
De acordo com o santuário, Kenya faleceu de maneira tranquila. Durante a madrugada, ela permaneceu deitada e calma, algo que não vinha conseguindo fazer nos dias anteriores. Na manhã seguinte, apresentou alterações na respiração e emitiu um som suave, descrito pela equipe como semelhante a um trombetear de filhote, antes de morrer rapidamente, sob acompanhamento constante dos cuidadores.
Nos dias que antecederam sua morte, a elefanta mantinha o apetite por frutas e vegetais, aceitava a medicação administrada junto aos alimentos e demonstrava boa hidratação, ingerindo água, água de coco e bebidas isotônicas. A equipe veterinária também observou resposta positiva ao uso de antibióticos e analgésicos, além de colaboração durante procedimentos clínicos, considerada significativa diante do histórico de resistência da elefanta a intervenções médicas no passado.
Exames de sangue realizados anteriormente estavam dentro dos parâmetros esperados para a idade de Kenya, e novas avaliações estavam programadas. Um exame de necrópsia será realizado ainda nesta terça-feira na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). O resultado deve levar alguns meses para ser concluído.
Kenya chegou ao santuário após viver por décadas isolada, sem contato com outros elefantes. No novo ambiente, passou a experimentar condições mais próximas do natural e desenvolveu, gradualmente, um forte vínculo com a elefanta Pupy. A relação, construída com cautela e respeito, tornou-se profunda e significativa, segundo o SEB. Pupy, no entanto, faleceu em outubro, após seis meses no local, em decorrência de complicações de saúde.
O corpo de Kenya será sepultado ao lado de Pupy, em um espaço preparado pelo santuário. Em nota, a instituição destacou o vínculo criado entre a elefanta, a equipe e pessoas de diversas partes do mundo que acompanharam sua trajetória, ressaltando que é raro um animal ser cercado por tanto cuidado e afeto.
O Santuário de Elefantes Brasil agradeceu as manifestações de apoio e solidariedade e afirmou que, embora Kenya tenha partido fisicamente, sua história e legado permanecerão vivos na memória da equipe e de todos que foram tocados por sua trajetória.
