Sete alvos da Operação Cenário Montado Gyn, deflagrada na manhã desta terça-feira (16), foram identificados e presos. Entre eles, dois são servidores da Prefeitura de Barra do Garças.
De acordo com informações da Polícia Civil, o esquema investigado apresentava indícios de superfaturamento de até 372,09%, direcionamento de licitações, uso de empresas de fachada, associação criminosa e corrupção. Empresários, funcionários de empresas e servidores públicos estavam envolvidos.
Durante a ação, foram cumpridas 30 ordens judiciais, incluindo 7 mandados de prisão preventiva, 7 de busca e apreensão, além de quebras de sigilo bancário, telefônico e telemático. Também foram suspensas as atividades de duas empresas e sequestrados valores superiores a R$ 4,2 milhões.
Prisões preventivas
- Adenir Pinto da Silva – apontado como chefe do esquema.
- Lucimar Teixeira da Silva – atuava como articulador operacional e documental.
- Rodrigo Mendes Moreira – coordenava e fiscalizava serviços subcontratados.
- Luciana Costa da Silva – servidora da Secretaria Municipal de Turismo de Barra do Garças.
- Elcio Mendes da Silva – servidor lotado no gabinete do prefeito de Barra.
- Tayara Félix Alves Cardos – representava empresa de fachada.
- Paulo Henrique de Freitas Pinto – representante legal da empresa de fachada.
Investigação
As apurações, conduzidas pela 1ª Delegacia de Polícia de Barra do Garças, tiveram início em janeiro de 2025, a partir de informações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O foco era um esquema de fraudes em licitações no município de Pontal do Araguaia.
O esquema utilizava empresas do setor de eventos e shows para fraudar processos licitatórios. As Atas de Registro de Preços resultantes eram posteriormente usadas por diversos municípios por meio de adesões (“caronas”), com valores que chegaram a R$ 25,8 milhões, podendo alcançar até R$ 51,7 milhões, segundo a legislação.
Superfaturamento e manipulação
As análises apontaram superfaturamento de itens como palcos, sistemas de iluminação, geradores e telões de LED, com preços inflados artificialmente. Após a operação, pesquisas comparativas mostraram queda imediata nos valores, reforçando as suspeitas de manipulação de orçamentos e ausência de competitividade real.
Expansão do esquema
A investigação indicou que o mesmo padrão fraudulento foi replicado em outros municípios, incluindo Barra do Garças, envolvendo subcontratação irregular, execução contratual simulada e continuidade das atividades por empresas já sancionadas judicialmente.
O valor identificado como prejuízo ao erário a ser bloqueado e sequestrado é de R$ 4.208.302,96, além de R$ 21 milhões sequestrados em fases anteriores. As apurações continuam, podendo haver novas fases e responsabilizações.
Origem do nome da operação
O nome “Cenário Montado” faz referência à simulação de concorrência legítima pelas empresas de fachada, caracterizando a fraude previamente planejada para enganar a administração pública.
Fonte: Polícia Civil / Gaeco
