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Imprensa sofreu mais de 14 mil ataques no 1º turno das eleições

Relatório aponta que mulheres foram os alvos principais nas redes sociais e que hostilidades cresceram na reta final da votação.

Publicado em 11/10/2026 às 02:58 ·
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Jornalistas sofreram mais de 14 mil ataques no 1º turno das eleições

Durante o período oficial de campanha do primeiro turno, entre 16 de agosto e 4 de outubro, profissionais de imprensa e veículos de comunicação enfrentaram 14.182 ataques nas redes sociais. O volume corresponde a uma média de 283 episódios hostis por dia, todos ligados ao contexto da disputa eleitoral e concentrados nas plataformas X e Instagram.

Escalada da hostilidade na reta final da votação

Os dados constam no relatório Cobrir as eleições, enfrentar a violência: uma análise dos ataques à imprensa no primeiro turno de 2026, elaborado pela Coalizão em Defesa do Jornalismo (CDJor) em parceria com o Laboratório de Internet e Ciência de Dados (Labic), da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), e o Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS Rio). A pesquisa monitorou 3,7 milhões de conteúdos digitais ao longo de 50 dias, rastreando 652 termos e hashtags depreciativos.

O monitoramento constatou que a agressividade cresceu com a aproximação da votação. As ocorrências saltaram de 2.630 na primeira quinzena para 4,4 mil na segunda, uma alta de 67,3%. Nos últimos sete dias que antecederam o pleito, houve novo acréscimo de 3,1%, atingindo 4.537 registros — patamar equivalente a 327 agressões diárias.

As ofensas buscaram deslegitimar não apenas as apurações, mas a própria credibilidade dos repórteres e das empresas de mídia. Termos como “fake news”, “imprensa golpista”, “jornalista militante” e acusações infundadas de manipulação de pesquisas figuraram com frequência entre os conteúdos analisados.

Mulheres jornalistas foram os principais alvos

O recorte de gênero revelou uma disparidade expressiva quando a violência se voltou contra pessoas específicas: as mulheres jornalistas concentraram 64,8% das agressões individualizadas no primeiro turno. Do universo de 3.106 ataques direcionados nominalmente a profissionais, 2.013 tiveram comunicadoras como vítimas.

Além das tentativas de desqualificação do trabalho técnico, as mensagens dirigidas às repórteres continham insultos de cunho sexual, ofensas abertamente misóginas e incitação direta à agressão física.

Impacto na cobertura e risco à democracia

A corrida presidencial foi o catalisador da maior parte do conflito, respondendo por quase 80% das investidas em que o recorte eleitoral pôde ser identificado. Segundo os pesquisadores, essa pressão digital gera consequências práticas severas, como ameaças após contato com fontes, intimidações a equipes em campo e necessidade de avaliação prévia de risco físico antes da realização de coberturas jornalísticas.

A coordenadora jurídica da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Leticia Kleim, avalia o cenário como alarmante. “Vemos uma enxurrada de ataques digitais com o intuito de descredibilizar e, muitas vezes, intimidar o trabalho de jornalistas nas redes sociais”, afirma.

Para a especialista, as agressões extrapolam o prejuízo individual. “O resultado disso afeta não somente as vítimas diretas dos ataques, mas gera um prejuízo coletivo à sociedade, pela tentativa de silenciar o trabalho de jornalistas que têm um papel fundamental na democracia, ainda mais evidente no período eleitoral”, complementa Kleim.

A CDJor é composta por onze entidades representativas do setor, incluindo a Abraji, a Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), a Associação de Jornalistas de Educação (Jeduca) e a organização Repórteres sem Fronteiras.

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