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Pescadoras do Brasil recebem homenagem da FAO na Itália

Luena Pataxó e Joana Mousinho integram lista global de 100 mulheres reconhecidas pelo impacto social e sustentável na produção de alimentos.

Publicado em 19/10/2026 às 07:03 ·
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Pescadoras brasileiras recebem título de heroínas em premiação da FAO

O trabalho tradicional das águas brasileiras alcançou visibilidade internacional com a premiação de Luena Pataxó e Joana Rodrigues Mousinho pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Em cerimônia realizada em Roma, na Itália, as duas trabalhadoras receberam do diretor-geral da agência, Qu Dongyu, o título de Heroínas da FAO nos Sistemas Agroalimentares e no Desenvolvimento Rural.

Voz indígena e sustentabilidade no litoral baiano

Aos 44 anos, a indígena Luena Maria Ferreira dos Santos, conhecida como Luena Pataxó, acumula uma história inteira dedicada ao mar. Desde a infância, ela auxiliava os pais no tratamento de peixes e mariscos. Após ficar viúva, deixou as embarcações para concentrar suas atividades na coleta de camarões.

Além da rotina extrativista, Luena atua como liderança comunitária. Ela está à frente da presidência do Comitê de Relacionamento de Pescadores do extremo sul da Bahia e foi a responsável por estruturar o Grupo de Trabalho Indígena Nacional, articulado por meio do Plano Nacional da Pesca Artesanal.

Emocionada com a oportunidade de representar seu povo e os trabalhadores do setor, ela enfatizou a importância da atividade: “Não é possível falar de alimentos, de produção, sem falar das águas, da pesca artesanal. Somos parte da alimentação saudável na mesa do brasileiro”.

Mais de seis décadas de pioneirismo em Pernambuco

A outra representante do país no evento foi a pescadora Joana Rodrigues Mousinho, de 70 anos. Com atuação de mais de seis décadas na pesca artesanal no Canal de Santa Cruz, localizado no município de Itapissuma, em Pernambuco, ela construiu uma carreira marcada pela quebra de barreiras no setor pesqueiro.

Joana destacou-se nacionalmente como a primeira mulher a presidir uma colônia de pescadores e foi pioneira na obtenção do Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP). Sua trajetória de luta inclui a fundação da Articulação Nacional das Pescadoras, entidade essencial na busca por direitos trabalhistas e valorização feminina. Esse legado já havia sido condecorado em 2024 com o Prêmio Mulheres das Águas, promovido pelo Ministério da Pesca e Aquicultura, na categoria Pesca Artesanal em Águas Marinhas.

Critérios da premiação global

O projeto da FAO selecionou 100 mulheres ao redor do planeta com histórico relevante na promoção da segurança alimentar, inclusão social, preservação ambiental e fortalecimento econômico de comunidades tradicionais. A honraria destaca o protagonismo feminino na construção de sistemas alimentares mais justos e resilientes em todo o mundo.

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