Dezenas de trabalhadores terceirizados que prestavam serviços no município de Várzea Grande tiveram seus direitos trabalhistas assegurados por meio de uma rodada de conciliações. Na última terça-feira (13), o Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc), vinculado ao Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso (TRT/MT), concluiu as audiências com a homologação de 77 acordos para o pagamento de valores devidos a ex-colaboradores da Servlimp.
Impasse financeiro e rescisões contratuais
A necessidade de intervenção judicial surgiu depois que o vínculo entre a prestadora de serviços de limpeza e manutenção e a Prefeitura de Várzea Grande foi suspenso. De acordo com o advogado do Sindicato dos Empregados das Empresas de Asseio, Conservação e Locação de Mão de Obra do Estado de Mato Grosso (SEEAC-MT), Fausto Del Claro, repasses atrasados por parte da administração municipal desestabilizaram as finanças da empresa, culminando no encerramento das atividades e na demissão dos empregados.
Embora a adesão à proposta não tenha sido unânime, o desfecho trouxe alívio para muitos funcionários que temiam uma longa disputa judicial. Esse foi o caso de Vânia Barbosa, que trabalhou durante dois anos no local e optou por aderir à conciliação: “Melhor receber um valor menor, mesmo que parcelado, do que não ter data para receber. O dinheiro veio em boa hora e eu estou satisfeita com a postura da empresa”, destacou.
O papel da escuta e da mediação
O ambiente das audiências demandou cautela e diálogo para acolher a insegurança da categoria. O representante sindical ressaltou a importância da clareza durante as negociações coletivas. “Em uma situação como essa, precisamos compreender que o trabalhador pode chegar frustrado ou indignado. A melhor postura, nesse caso, é ouvir, explicar com calma e respeitar o tempo de cada pessoa. Para decidir sobre um acordo, o trabalhador precisa se sentir ouvido e entender o que está sendo proposto”, avaliou Del Claro.
O advogado ainda enfatizou o impacto social da medida perante a Justiça do Trabalho. “Cada acordo envolve uma pessoa, uma família e uma preocupação que precisava de resposta. A conciliação permite construir uma solução e reduzir o tempo de espera pelo desfecho do processo. Quando existe uma negociação séria, com respeito aos direitos e à vontade das partes, é possível chegar a uma solução que traga mais segurança para todos”, pontuou.
Encerramento das atividades da terceirizada
A representação jurídica da empresa também avaliou os entendimentos de forma favorável. Para a advogada da Servlimp, Natasha Machado, o suporte do órgão judiciário foi decisivo para viabilizar as indenizações devidas.
“Tivemos uma condução coerente com a delicadeza do momento enfrentado. Afinal, nunca houve intenção de prejuízo ao trabalhador. Assim, conseguir o suporte para a mediação de um possível conflito que surgiu de uma situação financeira inusitada e não quista pela empresa foi o suporte que a empresa precisava para conseguir encerrar as atividades em Várzea Grande”, ressaltou.






