Uma clínica de estética de Cuiabá está sendo investigada por suspeita de lesar consumidores após vender pacotes promocionais durante a Black Friday e, em seguida, encerrar as atividades sem prestar os serviços contratados ou realizar reembolsos. Clientes relatam falta de respostas e ausência de devolução dos valores pagos.
O estabelecimento integra a rede nacional Giolaser e havia sido fechado anteriormente por fiscalização neste ano, mas voltou a funcionar para atendimento ao público antes do novo fechamento.
As investigações tiveram início após ao menos cinco clientes registrarem boletins de ocorrência relatando prejuízos financeiros. Em alguns casos, os consumidores chegaram a iniciar os tratamentos, mas tiveram as sessões interrompidas sem qualquer explicação, após o responsável pela clínica deixar de manter contato.
Uma das clientes relatou ter adquirido, em setembro, um pacote de depilação a laser no valor de R$ 1.996,44, que previa dezenas de sessões em diversas áreas do corpo. No entanto, ela conseguiu realizar apenas cinco atendimentos antes da interrupção dos serviços.
Durante a Black Friday, a clínica anunciou uma promoção de 10 sessões de depilação a laser em todo o corpo por R$ 499 — valor muito inferior ao preço praticado anteriormente, que chegava a R$ 3.999. A cliente aderiu à oferta no dia 27 de novembro, realizando a contratação de forma presencial.
Segundo o relato, devido à alta procura, os funcionários informaram que os contratos não seriam gerados no momento e seriam enviados posteriormente por e-mail. O pagamento, ainda conforme a denúncia, foi realizado para um CNPJ diferente do registrado como sede da franquia.
Na semana seguinte à Black Friday, já no início de dezembro, a clínica fechou as portas. Os clientes afirmam que só tomaram conhecimento do encerramento das atividades por meio de grupos de WhatsApp formados por consumidores. Os contratos prometidos não foram enviados.
Funcionários também teriam sido surpreendidos com o fechamento. Eles relataram atrasos salariais, ausência de pagamento das verbas devidas e impossibilidade de retirar pertences pessoais do local.
As investigações estão em fase inicial, e tanto clientes quanto funcionários deverão ser ouvidos. Há indícios de que as ações promocionais divulgadas entre a segunda quinzena de novembro e o final do mês possam ter causado prejuízo a dezenas de pessoas.
As autoridades orientam que possíveis vítimas procurem a Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor para registrar ocorrência e prestar esclarecimentos. Também reforçam a importância de cautela diante de promoções com valores muito abaixo do praticado no mercado, além da verificação prévia da reputação das empresas antes da contratação de produtos ou serviços.
