A 2ª Vara Criminal de Barra do Garças (412 km de Cuiabá) decretou a prisão preventiva de sete investigados na Operação Cenário Montado Gyn, deflagrada pela Polícia Civil na manhã desta terça-feira (16). A decisão detalha a atuação de uma associação criminosa estruturada para fraudar licitações públicas no setor de eventos, com ramificações em Mato Grosso e Goiás.
Os alvos são: Adenir Pinto da Silva, Paulo Henrique de Freitas Pinto, Lucimar Teixeira da Silva, Tayara Félix Alves Cardoso, Rodrigo Mendes Moreira, Luciana Costa da Silva e Elcio Mendes da Silva.
Como funcionava o esquema
Segundo o Judiciário, o grupo utilizava direcionamento de processos licitatórios, empresas de fachada, simulação de concorrência e execução contratual fictícia. As empresas participantes apresentavam propostas combinadas, inflavam preços e, após vencerem as licitações, subcontratavam integralmente os serviços ou nem os executavam, recebendo recursos públicos com o apoio de servidores municipais.
As análises técnicas apontaram superfaturamento de até 372,09% em itens como palcos, sistemas de iluminação, geradores, telões de LED e estruturas para eventos.
Papéis dos investigados
- Adenir Pinto da Silva – apontado como líder do esquema, comandava empresas usadas para fraudar licitações e pressionava servidores pela liberação de pagamentos. Para contornar ordens judiciais que suspenderam empresas do grupo, criou a empresa Signus Estruturas e Eventos Ltda., registrada em nome do filho Paulo Henrique de Freitas Pinto, que funcionava como interposto, mantendo o controle das atividades ilícitas.
- Lucimar Teixeira da Silva – central na articulação operacional e documental, atuando como administrador de fato da empresa Tay Comércio e Serviços Ltda., formalmente registrada em nome da esposa, Tayara Félix Alves Cardoso, que figurava como testa de ferro.
- Rodrigo Mendes Moreira – coordenava e fiscalizava os serviços contratados, mesmo quando integralmente subcontratados, apresentando relatórios falsos sobre a execução.
- Luciana Costa da Silva – servidora da Secretaria Municipal de Turismo, facilitava o esquema internamente, confeccionando documentos fraudulentos e pressionando fiscais para assinar vistorias incompatíveis com os contratos.
- Elcio Mendes da Silva – servidor comissionado do Gabinete do Prefeito, atuava na articulação política e administrativa, garantindo liberação de recursos e pagamentos às empresas do grupo.
Medidas judiciais
O juiz Marcelo Sousa Melo apontou indícios suficientes de materialidade e autoria, além de risco de continuidade da prática criminosa. Por isso, além das prisões preventivas, foram autorizados sete mandados de busca e apreensão, quebras de sigilo bancário e telemático, suspensão das atividades das empresas do esquema e sequestro de valores superiores a R$ 4,2 milhões.
Fonte: 2ª Vara Criminal de Barra do Garças / Polícia Civil
