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Museu de História Natural apresenta exposição “Casulos” com imersão do barro à natureza

O convite é claro: perceber que a arte não nasce apenas das mãos humanas, mas também das relações que se tecem com a terra, o tempo e os outros seres

07/04/2026 às 23h06 Atualizada em 07/04/2026 às 23h18
Por: Redação Fonte: Beatriz Saturnino – Da Assessoria de Imprensa
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Museu de História Natural apresenta exposição “Casulos” com imersão do barro à natureza

O Museu de História Natural de Mato Grosso recebe, a partir de 2 de abril, a exposição “Casulos”, da multiartista Cândida Ferreira, em uma programação que convida o público a vivenciar a ecoarte como experiência sensível, educativa e imersiva. Em cartaz até dia 12 de junho, a mostra reúne obras inéditas em cerâmica desenvolvidas a partir de materiais naturais e processos orgânicos, tensionando as fronteiras entre arte, matéria e vida.

A exposição nasce de pesquisas com argilas selvagens, esmaltes de cinzas e da incorporação de estruturas naturais como ninhos, cupinzeiros e casulos. Ao integrar esses elementos às obras, Cândida propõe uma reflexão sobre a cocriação entre humanos e outras formas de vida. “São seres vivos que também constroem com barro”, afirma a artista, que mantém ateliê no município de Nossa Senhora do Livramento e desenvolve sua pesquisa enraizada em Mato Grosso.

Inserido no campo da ecoarte, o projeto estabelece um diálogo entre práticas humanas e construções realizadas por insetos e aves, convidando o público a deslocar o olhar e reconhecer a potência estética da natureza. “De repente, está esse serzinho ali trabalhando com você, criando junto com você”, relata.

Com caráter imersivo, “Casulos” incorpora uma videoarte assinada pelo cineasta Pê Mutz e uma paisagem sonora desenvolvida por Estela Ceregatti, ampliando a experiência sensorial da exposição e aprofundando as relações entre artista, barro e biodiversidade.

Para o educador museal Wilson Junior, a exposição dialoga diretamente com a essência dos museus de história natural. “As peças são frutos de uma cooperação humano-natureza, mobilizada pela artista e por vespas, cupins e outros animais que lidam com a terra. Relacionar essas tecnologias ancestrais do barro com a biodiversidade é algo que está no centro da missão do Museu”, destaca.

PROGRAMAÇÃO FORMATIVA E GRATUITA

A programação pública é um dos pilares de “Casulos” e reúne atividades gratuitas que ampliam o acesso e o diálogo com diferentes públicos. Entre os destaques estão as oficinas de cerâmica e ecoarte conduzidas por Cândida Ferreira e Ruth Albernaz, que abordam, de forma teórica e prática, o uso de materiais naturais, processos de criação e educação ambiental.

Também integra a programação a “Oficina de Escrita em Crítica de Arte”, ministrada pela jornalista e crítica Tatiane de Assis, da revista Piauí. A proposta é criar um espaço de escuta e elaboração a partir das obras da exposição, estimulando a reflexão crítica e o atravessamento sensível do público.

Além disso, encontros, mesas-redondas e atividades interdisciplinares reúnem artistas, biólogos e pesquisadores para discutir as relações entre arte, ciência e meio ambiente, fortalecendo o caráter educativo do projeto.

Entre os objetivos da iniciativa estão estimular a percepção estética das formas naturais, fomentar o debate sobre sustentabilidade e responsabilidade ambiental, fortalecer o diálogo entre arte contemporânea e práticas tradicionais, e ampliar o acesso à arte por meio de ações formativas.

Como desdobramento, a exposição também prevê a criação da instalação colaborativa “Coração pantaneiro”, construída com a participação do público nas oficinas, além da produção de um catálogo em versões impressa e digital.

Realizado pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei Aldir Blanc, em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel), o projeto reforça o compromisso com a inclusão, contando com recursos de acessibilidade como audiodescrição, intérprete de Libras e materiais em linguagem acessível.

SERVIÇO

Aberto de terça a domingo, das 8h às 18h, o Museu oferece exposições permanentes, temporárias e itinerantes. Os ingressos custam R$12 (inteira) e R$6 (meia), com gratuidade aos domingos e feriados.

Para acompanhar a programação completa e participar da atividade, basta acessar o Instagram @museuhistorianaturalmt onde encontrará o link de inscrições ou entrar em contato pelo telefone (65) 99686-7701.

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