Uma consulta de rotina na Unidade Básica de Saúde (UBS) do CPA III, em Cuiabá, terminou em um grave acidente que deixou uma paciente com parte de um dedo amputado. O caso aconteceu na última sexta-feira (26) e agora gera revolta, após a vítima denunciar suposta negligência e afirmar ter sido alvo de uma declaração considerada gordofóbica durante o atendimento.
A paciente, Nara Rayane, de 31 anos, conta que procurou a unidade para realizar o exame preventivo (CCO) e dar entrada no processo de laqueadura. Segundo ela, ao ser orientada a subir na maca para o procedimento, o equipamento cedeu no momento em que tentou se sentar.
"Eu apoiei a mão, fui colocar a perna e a maca simplesmente se fechou comigo. Foi tudo muito rápido. Eu bati a cabeça, machuquei a mão e perdi um pedaço do dedo", relatou.
Ainda de acordo com a paciente, a enfermeira responsável não estava dentro da sala no instante do acidente e retornou apenas ao ouvir os pedidos de socorro.
Nara afirma que, enquanto recebia atendimento, ouviu repetidas vezes da profissional que ela não gritasse porque havia outros pacientes sendo atendidos na unidade. Em seguida, segundo seu relato, a enfermeira teria atribuído o acidente ao seu peso.
"A maca caiu porque você é gorda", afirma Nara ter ouvido da profissional.
A paciente questiona por que foi autorizada a subir no equipamento caso houvesse qualquer risco relacionado à estrutura da maca.
Após o acidente, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi acionado. Ela foi encaminhada inicialmente para a UPA do Morada do Ouro e, posteriormente, transferida para o Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), onde passou por cirurgia.
Segundo Nara, médicos informaram que não havia mais possibilidade de reimplantar a parte amputada do dedo porque o membro não teria sido acondicionado corretamente após o acidente.
A mãe da paciente, Rosilaine, afirma que recebeu apenas a informação de que a filha havia sofrido uma queda da maca. Ao chegar à unidade, descobriu que a situação era muito mais grave.
Ela relata que o pedaço do dedo amputado foi entregue dentro de uma sacola plástica comum, sem gelo ou qualquer acondicionamento adequado.
Segundo a mãe, um ortopedista informou que a parte amputada deveria ter sido preservada corretamente para aumentar as chances de reimplante.
"Minha filha perdeu o dedo duas vezes: primeiro quando a maca decepou o dedo e depois pela forma como ele foi transportado", desabafou.
Rosilaine também afirma ter procurado explicações junto à coordenação da unidade, mas diz que recebeu apenas a informação de que deveria retornar em outro dia porque "foi uma fatalidade" e ninguém da equipe seria responsável pelo ocorrido.
Além das sequelas físicas, a família afirma que a paciente enfrenta um forte abalo psicológico e cobra providências da Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá e da Prefeitura.
Eles querem esclarecimentos sobre as condições da maca utilizada, os protocolos adotados pela equipe após o acidente e a apuração de eventual responsabilidade dos profissionais envolvidos.
Segundo o relato da paciente, ela teria sido deixada sozinha na sala no momento do procedimento e precisou subir na maca sem auxílio da profissional. Ainda conforme Nara, após o acidente, o pedaço do dedo amputado não teria recebido acondicionamento adequado, sendo colocado em uma sacola plástica comum, sem gelo, o que, segundo ela e a família, teria prejudicado as chances de reimplante.
A reportagem deixa espaço aberto para manifestação da Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá, da direção da Unidade Básica de Saúde do CPA III e dos profissionais citados. Assim que houver posicionamento oficial, esta matéria será atualizada.
Veja o vídeo completo aqui.
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