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Protestos na França deixam um morto e mais de 2 mil detidos

Publicado em 19/10/2026 às 06:51 ·
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Tensões voltam a crescer; França contabiliza custos de protestos

O território francês viveu um final de semana marcado por distúrbios violentos em diversas regiões, culminando em novos episódios de confronto neste domingo (18). As manifestações contra a escalada dos preços e o declínio dos serviços públicos resultaram na morte de uma pessoa por parada cardíaca em Paris, além de milhares de detenções e um cenário generalizado de depredação que mobilizou forças de segurança em escala nacional.

Balanço da violência e confrontos nas ruas

De acordo com dados divulgados pelo Ministério do Interior, o saldo dos confrontos inclui mais de 2 mil prisões em todo o país e mais de 600 agentes de segurança feridos. Cerca de 500 mil manifestantes participaram das mobilizações no sábado, ocupando vias públicas de dezenas de cidades.

Na tarde de domingo, o clima de instabilidade persistiu na capital francesa. Na Place de la République, forças policiais utilizaram gás lacrimogêneo para dispersar pessoas que ateavam fogo em bicicletas. O cenário de destruição afetou moradores e turistas. “Aqui parece uma zona de guerra”, disse o empresário holandês Tije De Boer, que viajou a Paris acompanhado dos filhos e precisou desocupar o hotel onde estava hospedado devido aos tumultos.

Prejuízos milionários e prédios públicos incendiados

A destruição atingiu centros urbanos de norte a sul do país, abrangendo cidades como Lille, Estrasburgo, Marselha e Bordeaux. Nesta última, a residência oficial do prefeito foi invadida por criminosos mascarados, e o prefeito Thomas Cazenave relatou que até 100 estabelecimentos comerciais foram saqueados.

Em Limoges, a sede do governo municipal — uma construção histórica de 143 anos — foi tomada pelas chamas após um ataque. O prefeito Guillaume Guerin denunciou a gravidade do episódio e ameaçou deixar o cargo caso o município não receba verba suficiente para a reconstrução: “Houve uma intenção clara e premeditada de incendiar a prefeitura, e as pessoas que estavam lá dentro temeram por suas vidas”.

O setor privado também contabiliza perdas severas. Segundo o ministro do Interior, Laurent Nunez, centenas de lojas foram alvejadas. Na rede varejista Carrefour, o impacto financeiro alcança dezenas de milhões de euros. O presidente-executivo do grupo, Alexandre Bompard, detalhou que 50 filiais foram danificadas, sendo 20 alvos diretos de saques. Em Marselha, o prefeito Benoit Payan divulgou a abertura de uma linha emergencial de auxílio financeiro para apoiar os comerciantes locais.

Repercussão política e pronunciamento oficial

Diante do agravamento da crise, o ministro da Economia, Roland Lescure, assegurou assistência às empresas e condenou a atuação dos grupos radicais. “Quem destruir coisas vai pagar, reparar os danos e ser responsabilizado por sua intenção de semear o caos”, declarou Lescure.

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu atribuiu a escalada de desordem a criminosos e a facções de “extrema esquerda”. Por outro lado, a oposição aumentou o tom das críticas. O líder partidário de extrema direita Jordan Bardella acusou o governo de ter deixado a França “humilhada” e exigiu a renúncia do chefe de Estado: “Estamos pagando por décadas de negligência, perda de autoridade e pelo desarmamento moral, psicológico e material de nossas forças de segurança interna”.

Com a proximidade da disputa presidencial prevista para o próximo ano e mandato vigente até 2027, o presidente Emmanuel Macron agendou um pronunciamento formal em cadeia nacional para a noite deste domingo. O levante popular teve origem semanas atrás, motivado por reivindicações de professores e estudantes em periferias operárias, mas se transformou rapidamente em um protesto massivo contra a inflação e a desigualdade econômica.

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