Polícia

Anistia Internacional acionará ONU e CIDH contra Javier Milei por ataques à imprensa

Publicado em 28/10/2026 às 14:43 ·
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Anistia Internacional denunciará Milei à ONU por ataque a jornalistas

A Anistia Internacional confirmou que levará denúncias formais contra o presidente da Argentina, Javier Milei, à Organização das Nações Unidas e à Comissão Interamericana de Direitos Humanos devido aos constantes ataques direcionados a profissionais da comunicação.

Escalada de tensão após o arquivamento do criptogate A ofensiva verbal ocorreu logo após a Justiça argentina encerrar, na última sexta-feira, o caso conhecido como criptogate, investigado desde fevereiro de 2025. O processo avaliava suspeitas de envolvimento do mandatário e de sua irmã, Karina Milei, em irregularidades na criação da criptomoeda $Libra. O juiz federal Marcelo Martínez De Giorgi concluiu que não houve prática de delitos na promoção do ativo digital feita pelo chefe de Estado nas redes sociais.

Ataques diretos e declarações violentas Inconformado com a cobertura, o governante citou nominalmente os jornalistas Hugo Alconada Mon, Carlos Pagni, Paulino Rodrígues, Natalia Volosin e Luis Novaresio, desqualificando o trabalho da imprensa.

Em seu discurso, o chefe de Estado disparou: “Empacotados, corruptos, mercenários da mentira e fabricantes seriais de operações”. Logo em seguida, declarou que “os que têm que queimar na fogueira são os filhos da p*”.

Na rede social X, o mandatário escreveu que foi alvo de “tremenda operação política e midiática cujo único objetivo era prejudicar a presidência para fins políticos de conspiração golpista”. A publicação classifica ainda os jornalistas como “subornados e mercenários da mentira”.

Para a Anistia Internacional, as falas configuram uma ameaça extrema que vai além de críticas comuns. A diretora-executiva da ONG na Argentina, Mariela Belski, destacou que a postura presidencial gera um ambiente intimidatório perigoso.

“O cargo que ocupa exige uma responsabilidade reforçada: deve garantir que a imprensa possa investigar e informar com liberdade e segurança. O assédio por parte do poder deteriora as condições do debate democrático e afeta o direito de toda a sociedade de estar informada”, disse.

Crescimento alarmante da hostilidade na Argentina Dados do Fórum de Jornalismo Argentino revelam um cenário de forte deterioração, com 278 casos de agressões contra comunicadores registrados em 2025, um aumento de 55% em relação ao ano anterior. Deste total, Javier Milei foi apontado como o principal agressor individual em 119 episódios.

Diante do avanço das restrições e do assédio judicial, entidades como a Federação Argentina de Trabalhadores de Imprensa e a Federação Internacional dos Journalists (FIP) anunciaram apoio à representação internacional. A presidente da FIP, Zuliana Lainez, alertou para os riscos sistêmicos da situação.

“Constrói-se um clima de intimidação que põe em risco a integridade dos trabalhadores da imprensa, favorece a autocensura e busca desestimular o exercício de uma função essencial para qualquer sociedade democrática.”

Lainez acrescentou que os ataques não podem ser analisados de maneira isolada.

“Se inserem em um cenário de crescente deterioração das condições para o exercício do jornalismo na Argentina, marcado por agressões físicas durante coberturas, assédio judicial, restrições ao acesso à informação e ataques sistemáticos por parte de diversos funcionários do próprio governo”, analisou.

O Sindicato de Imprensa de Buenos Aires também se manifestou duramente, afirmando em nota que o presidente “voltou a ultrapassar um limite gravíssimo”.

“A incitação a ‘queimar na fogueira’ um grupo de jornalistas deve provocar uma reação imediata de todo o espectro político e midiático para frear os ataques contra nossa profissão. Não haverá espaço para lamentações se a violência promovida pelo presidente acabar se transformando em fatos concretos”, publicou.

O cerco à liberdade de expressão no país também tem atingido correspondentes estrangeiros. Recentemente, o brasileiro Rogério Tomaz Jr., crítico declarado da gestão atual, teve sua residência permanente cancelada e foi proibido de retornar à Argentina por cinco anos ao desembarcar em Buenos Aires.

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