Política

Eleições em Israel colocam o futuro político de Netanyahu à prova

Publicado em 28/10/2026 às 14:15 ·
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Israelenses vão às urnas em eleição que pode tirar Netanyahu do poder

Pela primeira vez desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, aproximadamente 7 milhões de eleitores israelenses comparecem às urnas nesta terça-feira (27). A disputa acirrada coloca o atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu frente a frente com dois principais nomes da oposição, todos alinhados a uma postura rigorosa em temas de segurança e defesa militar.

Cenário político e favoritos ao governo Entre os nomes cotados para suceder o atual premiê, além de Netanyahu que acumula 19 anos no poder à frente do Likud, destacam-se o ex-general Gadi Eisenkot, do partido Yashar, e o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, líder da coalizão Juntos. Enquanto a votação utiliza cédulas de papel e os resultados oficiais são aguardados apenas para o final de quarta-feira (28), especialistas analisam o perfil dos concorrentes.

A professora de relações internacionais Karina Stange Calandrin pontua que o espectro político dominante é conservador.

“Os três são de direita. Em termos de segurança, eles são bem parecidos. São partidos que a gente chama de falcões. Em Israel, os partidos são divididos entre falcões e pombas. Os falcões acreditam que se deve lidar com os inimigos de uma forma dura, que negociações e diplomacia não são o caminho para resolver os dilemas de Israel”, explicou.

Por sua vez, o professor Michel Gherman, da UFRJ, aponta que o atual premiê se diferencia por liderar um projeto de viés autoritário.

“As diferenças fundamentais têm a ver com a posição em relação à democracia representativa. O Netanyahu é a favor de uma reforma que tiraria a autonomia completa do Judiciário e concentraria o poder na mão do Executivo”, disse.

A questão palestina e os assentamentos Nenhum dos principais candidatos reconhece a possibilidade de criação de um Estado palestino, reflexo da perda de apoio para a pauta após os eventos de outubro de 2023. No entanto, há divergências sensíveis sobre a expansão dos assentamentos na Cisjordânia, impulsionada recentemente por ministros da base governista.

“Os partidos de Ben-Gvir e Smotrich [ministros de Netanyahu] têm incentivado assentamentos na Área B da Cisjordânia, o que é proibido pela legislação israelense. Esse apoio tem alimentado a violência na Cisjordânia porque os colonos invadem as terras palestinas e expulsam as famílias com a vista grossa do governo Netanyahu”, lembrou Karina.

Enquanto Bennett compartilha de visões parecidas com as do atual governo para a região, Eisenkot demonstra abertura para estratégias distintas.

“Netanyahu é a favor de um Estado beligerante completo. Eisenkot é a favor de acordos, não com os palestinos neste momento, mas com os países árabes ao redor”, comentou Michel Gherman.

Formação de governo no parlamentarismo Com um sistema parlamentarista de 120 cadeiras no Knesset, o vencedor do pleito precisará articular alianças para formar maioria, um desafio complexo devido à recusa inicial dos partidos em negociar com legendas árabes.

“Todos eles já falaram que não vão fazer aliança com os árabes israelenses. Vai ser muito difícil formar a coalizão sem os árabes. A não ser que eles mudem de ideia e cedam pra tirar Netanyahu do poder. Minha previsão é que não vai ter coalizão”, avalia Karina Calandrin.

Para Gherman, a alternativa pode passar por uma abstenção estratégica.

“Vai ter uma solução política em que os partidos árabes não vão apoiá-los, mas vão votar contra Netanyahu. E aí a formação vai ser uma coalizão de minoria”, afirmou.

Contexto regional e conflitos recentes A votação ocorre em meio a um cenário de profunda instabilidade regional intensificada nos últimos três anos, marcado pela ampla operação militar em Gaza, conflitos no Líbano, ataques na Síria e tensões com o Irã.

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